O que é o EcoBiocarvão?

 

Para falar do EcoBiocarvão, devemos começar com a “Terra Preta de Índio” (TPI). Esse tipo de solo é encontrado na região da bacia amazônica tem coloração escura, possui fragmentos de cerâmica e provavelmente é resultado da ocupação de povos indígenas pré-colombianos.

 

Esse tipo de solo concentra altos teores de nutrientes, como cálcio, magnésio, zinco, manganês, fósforo e carbono, tornando-o estável, fértil e propício à agricultura até os dias atuais. O que se contrapõe aos solos amarelados, ácidos e de baixa fertilidade encontrados na região. Estudos indicam que a ocorrência dessas características se deve à combustão incompleta de resíduos orgânicos produzidos pelos ocupantes da região. Do ponto de vista ecológico e científico, a existência dessas superfícies assume papel substancial na diversidade biológica e na regulação dos processos bióticos do solo, principalmente no sequestro e efluxo de gás carbônico.

 

Na tentativa de reproduzir essa TPI e utilizá-la como condicionadora de solos, foi desenvolvido o EcoBiocarvão. O EcoBiocarvão é produzido a partir da pirólise (combustão sob oferta limitada de oxigênio e temperaturas relativamente baixas, menores que 700ºC) de biomassa (materiais orgânicos como resíduos de madeira, casca de arroz e lodo de esgoto, que seriam descartados no ambiente).

 

 

 

Sua aplicação primária é o uso como condicionante de solo com a intenção de melhorar suas funções e reduzir as emissões provenientes da biomassa, que durante sua degradação natural geram gases de efeito estufa.

 

Podemos listar os seguintes propósitos para a sua aplicação no solo:

1. Fertilidade do solo: melhora a fertilidade do solo, estimulando o crescimento das plantas, consumindo mais gás carbônico (CO2) em efeito de feedback positivo;

2. Redução de fertilizante como insumo: reduzi a necessidade de fertilizantes químicos, resultando na redução da emissão de gases de efeito estufa provenientes da fabricação desses produtos;

3. Redução das emissões de óxido nitroso (N2O) e metano (CH4): reduzi as emissões de N2O e CH4, dois gases de efeito estufa, dos solos agrícolas;

4. Melhorar a vida microbiana no solo: aumenta a vida microbiana do solo, resultando em um maior armazenamento de carbono nesse ambiente;

5. Redução das emissões a partir de matérias-primas: a conversão de resíduos agrícolas e florestais em biocarvão pode evitar emissões de CO2 e CH4 geradas pela decomposição natural ou queima desses resíduos;

6. Geração de energia: a energia térmica, e também os bio-óleos e gases de síntese, gerados durante a produção de biochar podem ser usados para deslocar a energia positiva de carbono dos combustíveis fósseis.

Adicionado aos solos, o EcoBiocarvão pode aumentar o pH, aperfeiçoar a capacidade de troca catiônica, melhorar as propriedades físicas (como a capacidade de agregação, porosidade, aeração e armazenamento de água), adsorver poluentes orgânicos hidrofóbicos e, portanto, aumentar a sua produtividade. A alteração das propriedades físicas do solo devido à sua presença pode resultar no aumento do crescimento da vegetação pois ocorre um aumento da disponibilidade de água na área próxima ao sistema radicular que é determinada pela composição física dos horizontes do solo.

Na agricultura, o EcoBiocarvão geralmente é misturado com fertilizantes minerais ou orgânicos para aumentar seu efeito na fertilidade do solo e no rendimento das colheitas.

 

Na pecuária, a adição de EcoBiocarvão na ração de ruminantes destina-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa ou a melhorar a qualidade dos alimentos para os animais. Para reduzir as perdas de nutrientes durante a compostagem, o EcoBiocarvão pode ser adicionado à sua biomassa. Por fim, o EcoBiocarvão pode também ser utilizado na remediação de solos e de sedimentos contaminados por poluentes orgânicos.

 

A aplicação do EcoBiocarvão no solo também é proposta como mecanismo para o fenômeno de sequestro de carbono. Através desta prática, a emissão de carbono em forma de gases de efeito estufa podem ser prevenidas, pois o carbono é armazenado no solo em uma forma mais estável comparando com situações em que o resíduo foi aplicado diretamente em formas mais instáveis ou até mesmo queimado. Tentando calcular o efeito da introdução de um mecanismo que adiciona carbono estável ao solo, ao invés de simplesmente queimar a biomassa, foi estimado que até 12% das emissões antrópicas causadas pela mudança no uso da terra (0,21 pentagramas de carbono) poderiam ser eliminadas pela aplicação de carbono ao solo na forma de biomassa carbonizada.

 

Outas vantagens para a aplicação do EcoBiocarvão são, seu baixo custo, estabilidade em condições de umidade e a natureza microporosa.

 

 

 

 

- Fonte: medium.com




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